conteúdo / Braza Bank
Qual vai ser o real uso da IA no futuro? O que já funciona e o que ainda não
11 de março de 2026 | Equipe Braza Bank

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11 de março de 2026 | Equipe Braza Bank

A inteligência artificial (IA) já é um dos principais temas do debate econômico e empresarial. No entanto, embora seu uso esteja cada vez mais comum, os efeitos concretos ainda aparecem de forma desigual, concentrados em tarefas específicas e longe de uma transformação ampla e imediata.
Primeiramente, a popularização de ferramentas baseadas em grandes modelos de linguagem — Large Language Model (LLM), em inglês —, somada a investimentos bilionários em infraestrutura e startups, alimentou a percepção de que a IA estaria prestes a transformar radicalmente o funcionamento das empresas e do mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, conforme a tecnologia se espalhou, ficou mais evidente a distância entre expectativa e entrega. Nesse sentido, este conteúdo busca responder a uma pergunta clara: qual é, de fato, o uso realista da inteligência artificial no futuro próximo?
Para isso, analisamos a premissa original da tecnologia, onde ela já acertou, onde ainda enfrenta limites e como deve se integrar ao mercado de trabalho, com atenção especial ao setor financeiro.
De forma objetiva, inteligência artificial é o conjunto de tecnologias que permite que sistemas aprendam com dados, identifiquem padrões e façam previsões ou recomendações sem programação explícita para cada situação.
A maior parte das aplicações atuais está baseada em machine learning (aprendizado de máquina) e deep learning. O primeiro é justamente a área voltada ao desenvolvimento de sistemas capazes de aprender a partir de dados.
Já o deep learning é um subconjunto do aprendizado de máquina que utiliza redes para analisar dados de forma mais complexa. Essas redes são inspiradas no funcionamento do cérebro humano, processando informações em etapas sucessivas até chegar a um resultado.
Nos últimos anos, a IA generativa ganhou destaque por conseguir produzir textos, imagens, códigos e análises a partir desses grandes volumes de dados. Apesar do avanço, esses sistemas não possuem compreensão ou consciência, operando por meio de correlações estatísticas e probabilidades.
Essa característica explica tanto o potencial quanto as limitações da IA. Ela é extremamente eficiente em reconhecer padrões em larga escala, mas frágil quando exposta a ambiguidades, exceções ou contextos que exigem julgamento humano.
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Desde sua origem, a promessa da inteligência artificial foi ampliar a capacidade humana de lidar com complexidade. A ideia não era substituir pessoas, mas automatizar tarefas repetitivas e apoiar decisões em ambientes com grande volume de informações.
Essa premissa se mantém válida. A IA foi pensada como uma ferramenta de apoio à análise, capaz de reduzir erros, acelerar processos e gerar consistência em decisões que dependem de dados.
O que mudou foi a escala. O avanço computacional e o acesso a bases massivas de dados permitiram que essa lógica fosse aplicada em praticamente todos os setores da economia.
Os ganhos mais evidentes da inteligência artificial aparecem em eficiência operacional e apoio à tomada de decisão. De acordo com a edição mais recente do relatório The State of AI, cerca de 88% das empresas já utilizam algum tipo de IA em pelo menos uma função do negócio.
No entanto, apenas aproximadamente um terço dessas organizações conseguiu escalar o uso da tecnologia para além de testes ou projetos-piloto. Onde houve escala, os benefícios mais frequentes envolvem redução de custos, aumento de produtividade e melhoria na qualidade das análises.
Empresas que conseguem extrair mais resultado são aquelas que tratam a IA como parte de uma transformação organizacional mais ampla. Isso inclui redesenho de fluxos de trabalho, revisão de governança e capacitação das equipes.
No setor financeiro, a aplicação é especialmente clara em análise de crédito, detecção de fraudes, gestão de risco, compliance e consolidação de dados. A IA reduz o tempo gasto em tarefas manuais e amplia a capacidade de leitura de cenários complexos.
Ademais, o efeito da inteligência artificial sobre o emprego tem sido mais gradual do que o discurso sugere. Até agora, o principal impacto foi a transformação das funções, não a eliminação em massa de postos de trabalho.
Apesar da disseminação, a inteligência artificial ainda enfrenta limitações importantes. A mais evidente é a confiabilidade. Modelos generativos podem produzir respostas incorretas ou inconsistentes, o que exige validação constante.
Outro ponto crítico é a “explicabilidade”. Segundo a McKinsey, riscos ligados à transparência e à explicação das decisões estão entre os menos mitigados pelas empresas, mesmo quando a tecnologia já é usada em produção
Do ponto de vista financeiro, o retorno também é mais contido do que o discurso sugere. Apenas 39% das empresas conseguem atribuir algum impacto relevante nos números ao uso da IA, e, na maioria dos casos, esse impacto é inferior a 5% do resultado total, conforme a pesquisa.
O crescimento acelerado dos investimentos reacendeu o debate sobre uma possível bolha de inteligência artificial. Startups com valuations elevados, grandes empresas direcionando parte significativa de seus recursos para IA e gastos crescentes com infraestrutura alimentam essa discussão.
Há paralelos com ciclos anteriores de inovação, como o da internet. Naquele período, o investimento cresceu mais rápido do que a capacidade das empresas de gerar lucro, resultando em correções severas nos anos seguintes.
No caso da IA, a comparação surge porque o uso da tecnologia é amplo, mas o retorno financeiro relevante ainda é limitado. Como você viu, pesquisas indicam que menos da metade das empresas consegue atribuir impacto material da IA ao resultado global do negócio.
Porém, há diferenças em relação a bolhas clássicas. Por exemplo, grande parte do investimento atual vem de empresas consolidadas, como Nvidia, Microsoft e Google, o que reduz o risco de colapso generalizado.
Além disso, parte relevante do capital direcionado à IA fortalece outras camadas da infraestrutura digital, como computação em nuvem, redes e armazenamento de dados. São áreas que continuam úteis mesmo se alguns projetos não avançarem.
O cenário mais provável é de consolidação. Parte das iniciativas não deve se sustentar, enquanto aplicações mais eficientes e integradas tendem a permanecer.
No mercado financeiro, a tendência é de uso pragmático e regulado. A IA continuará apoiando análises, simulando cenários e identificando padrões, mas dificilmente substituirá o julgamento humano.
O modelo dominante deve ser híbrido. Sistemas automatizados geram insights e alertas, enquanto profissionais validam informações e tomam decisões finais. Esse equilíbrio atende às exigências regulatórias e reduz riscos operacionais.
Com o amadurecimento das ferramentas, o ganho deve vir mais da consistência e da velocidade das decisões do que de mudanças radicais no modelo de atuação.
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Para além de projeções ousadas, de implementação total da IA, 2026 tende a ser um ano de ajuste fino para a inteligência artificial. A tecnologia já está relativamente difundida, mas o foco deve sair da novidade e migrar para a entrega de resultados concretos.
Deve ser possível ver:
adoção mais ampla: a maioria das empresas deve usar IA em mais de uma área, mas nem todas conseguirão integrar a tecnologia de forma estrutural aos processos centrais do negócio;
maior pressão por retorno financeiro: projetos sem impacto operacional claro tendem a perder espaço nos orçamentos, com cobrança crescente por ganhos mensuráveis de eficiência ou redução de custos;
uso mais maduro no setor financeiro: a IA deve avançar em crédito, risco, compliance e planejamento financeiro;
impacto gradual no mercado de trabalho: tarefas administrativas tendem a diminuir, enquanto cresce a demanda por supervisão, análise e governança dos sistemas automatizados;
governança e infraestrutura como fatores-chave: transparência, controle de riscos e custos com energia e data centers devem influenciar diretamente o ritmo de adoção da IA.
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Qual vai ser o real uso da IA no futuro?
A IA deve atuar como ferramenta de apoio à análise e à decisão, integrada aos processos das empresas, sem substituir completamente o fator humano.
Onde a inteligência artificial já entrega ganhos reais?
Em eficiência operacional, análise de dados, gestão de risco e apoio estratégico, especialmente no setor financeiro.
Onde a IA ainda encontra limites?
Em confiabilidade, explicabilidade e geração de impacto financeiro amplo sem mudanças estruturais nos processos.
A IA vai substituir empregos?
O impacto predominante é a transformação das funções, com redução de tarefas repetitivas e maior foco em análise e decisão.
O que esperar da evolução da IA?
Menos hype e mais integração silenciosa, com ganhos graduais de produtividade e consistência ao longo do tempo.