conteúdo / Braza Bank
O que esperar do dólar com o conflito no Oriente Médio?
9 de março de 2026 | Equipe Braza Bank

conteúdo / Braza Bank
9 de março de 2026 | Equipe Braza Bank

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã logo no início de março alterou a trajetória dos mercados financeiros globais. A operação, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei e de membros do alto escalão militar iraniano, gerou uma reação imediata no preço das commodities e nas cotações de moedas estrangeiras.
Para o mercado brasileiro, o evento interrompe um período de valorização do real. A combinação de instabilidade em rotas comerciais e o risco de interrupção na oferta de energia pressiona a inflação e pode alterar o cronograma de queda de juros planejado pelo Banco Central.
Neste artigo, analisamos os fatos militares, as condições logísticas do Estreito de Ormuz e as projeções atualizadas para o dólar e para a taxa Selic.
Diferentemente de cenários anteriores, a ofensiva iniciada no último sábado (28/02) marcou uma mudança de postura da administração de Donald Trump.
Pela primeira vez, o alvo principal não foram apenas instalações militares periféricas, mas o comando central do regime de Teerã, atingindo o país à luz do dia.
Segundo informações confirmadas pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM), ataques cibernéticos precederam os bombardeios, neutralizando os sistemas de comunicação da Guarda Revolucionária.
O balanço dos ataques é devastador para a estrutura política iraniana. A morte do Líder Supremo, Ali Khamenei, confirmada após ataques ao complexo presidencial e à sede do Conselho Supremo de Segurança Nacional, criou um vácuo de poder inédito desde a Revolução de 1979.
Além de Khamenei, as forças aliadas eliminaram:
o Ministro da Defesa;
o Chefe do Estado-Maior do Exército;
o Comandante da Guarda Revolucionária.
A resposta iraniana consistiu no lançamento de mísseis contra bases americanas localizadas no Iraque, Jordânia, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. No Irã, os balanços estatais indicam mais de 700 mortos até a terça-feira (3).
O principal fator de pressão sobre os preços internacionais é a viabilidade do Estreito de Ormuz. Localizada entre o Irã e Omã, a passagem é o canal de escoamento de 20% da produção mundial de petróleo e gás vinda de produtores como Arábia Saudita e Iraque.
Ele é a a principal rota para exportadores como Arábia Saudita, Iraque e o próprio Irã. Na manhã da segunda-feira (2), o contrato futuro do petróleo tipo Brent registrou alta de 7,6%, sendo negociado próximo a US$ 79 o barril. O WTI apresentou salto de 6%, cotado a US$ 71.
A empresa dinamarquesa Maersk anunciou a interrupção de todas as operações no estreito, o que gerou um acúmulo de centenas de navios petroleiros e cargueiros ancorados na região.
Embora a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) tenha anunciado um aumento na produção para compensar a eventual retirada do óleo iraniano do mercado, o gargalo logístico físico impede que a oferta excedente chegue aos compradores na Europa e Ásia.
No Brasil, o reflexo foi sentido na B3, com as ações da Petrobras operando em alta de 3,90%. Como o país é um grande exportador de óleo bruto, a valorização da commodity beneficia a receita da companhia e melhora a balança comercial nacional, embora gere impactos negativos na ponta do consumo interno.
No mercado financeiro, momentos de guerra disparam o movimento de Flight to Quality (Fuga para a Qualidade). Investidores retiram capital de moedas emergentes e buscam proteção em economias consolidadas.
Nesse sentido, o dólar, que vinha registrando quedas consecutivas, subiu, atingindo o patamar de R$ 5,20. Analistas indicam que o teto da moeda pode chegar a R$ 5,25 no curto prazo, a depender da duração do conflito.
Contudo, a desvalorização do real pode ser momentânea. O Brasil, como exportador de commodities, tende a apresentar melhora nos termos de troca quando o petróleo e os produtos agrícolas encarecem, o que pode atrair fluxo de divisas e fortalecer a moeda brasileira após o período inicial de incerteza.
Ainda, a alta sustentada do petróleo gera um risco direto para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Se o preço da matéria-prima permanecer acima de US$ 80, haverá necessidade de repasse nos preços dos combustíveis, elevando a inflação.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central sinalizou que pretende iniciar o corte da taxa Selic (atualmente em 15%) em março.
No entanto, o novo cenário pode forçar uma postura mais conservadora:
magnitude do corte: analistas de mercado estimam que o BC pode reduzir o corte para 0,25 ponto percentual, em vez dos 0,50 ponto esperados anteriormente;
diferencial de juros: como o Federal Reserve (Fed) interrompeu as quedas de juros nos EUA, o Banco Central brasileiro precisa manter um diferencial que atraia capital e
A postura do governo Donald Trump também exerce influência direta sobre a cotação da moeda americana. Trump tem pressionado publicamente o Federal Reserve para que os juros americanos caiam para níveis abaixo de 1%, visando estimular a indústria doméstica.
Ao mesmo tempo, a imposição de sobretaxas de importação e as sanções contra o Irã criam pressões inflacionárias dentro dos EUA.
Essa dualidade gera uma incerteza inédita sobre o dólar. Se por um lado a moeda sobe pelo risco de guerra, por outro ela perde força devido às dúvidas sobre a independência do Fed e à sustentabilidade fiscal americana.
Especialistas indicam que este cenário pode limitar a valorização abrupta do dólar frente ao real, mantendo a divisa oscilando em intervalos mais estreitos do que em crises passadas.
Desse modo, se o Banco Central brasileiro reduzir o ritmo de cortes da Selic para segurar a inflação do petróleo, o Brasil continuará atraindo capital estrangeiro de arbitragem (carry trade), o que limita a alta do dólar.
Vale destacar que o investidor estrangeiro alocou mais de R$ 41 bilhões no Brasil apenas nos primeiros meses de 2026. Se esse fluxo for mantido por causa das petroleiras, o real terá um suporte técnico forte contra a desvalorização.
A rapidez com que o conflito no Oriente Médio alterou as projeções financeiras reforça a necessidade de previsibilidade nas operações internacionais.
O papel do Braza neste contexto é oferecer inteligência técnica para transformar a volatilidade em planejamento. Como maior banco exclusivo de câmbio do país, aliamos tecnologia à solidez regulatória para garantir que sua operação não seja prejudicada por oscilações repentinas no cenário externo.
Nossas soluções de hedge cambial permitem que as empresas travem a taxa de câmbio para operações futuras, protegendo as margens de lucro e o fluxo de caixa contra repiques inflacionários.
Como a guerra afetou o petróleo?
O preço do barril tipo Brent disparou para perto de US$ 80 (alta de 7,6%) logo após os ataques. O mercado teme o fechamento logístico do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial.
Por que o dólar subiu?
Houve um movimento clássico de "fuga para o risco". Investidores vendem moedas de países emergentes, como o Real, para comprar ativos seguros.
O Brasil pode se beneficiar do aumento das commodities?
Sim. Como grande exportador de petróleo e grãos, a alta nos preços globais dessas matérias-primas melhora a balança comercial brasileira, o que historicamente ajuda o Real a se valorizar após o susto inicial.
O que muda para a taxa Selic?
O choque do petróleo pode gerar inflação. Isso pode fazer com que o Banco Central brasileiro realize um corte de juros "mais tímido" em março do que o planejado anteriormente.
Qual a situação do Estreito de Ormuz agora?
O tráfego está severamente comprometido. Grandes empresas de navegação, como a Maersk, suspenderam as travessias, e há relatos de centenas de navios ancorados aguardando segurança para passar.