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O que é o Clarity Act e como afeta o mercado de cripto?

9 de fevereiro de 2026 |

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O mercado de criptomoedas entrou em uma nova fase de amadurecimento global. Com a entrada de grandes instituições e volumes bilionários em circulação, a ausência de regras claras deixou de ser um detalhe técnico e virou um risco sistêmico. 

Nos Estados Unidos, essa lacuna regulatória gerou disputas entre órgãos governamentais, insegurança jurídica para empresas e uma onda de processos que afetou todo o ecossistema cripto. O Clarity Act surge como resposta a esse cenário. 

A proposta busca estabelecer critérios objetivos para definir como os ativos digitais devem ser regulados, criando previsibilidade para investidores, empresas e desenvolvedores. Mas o que exatamente muda com esse projeto? 

Continue a leitura para entender! 

O que é Clarity Act e por que ele foi criado? 

O Digital Asset Market Clarity Act, conhecido como Clarity Act (H.R. 3633), é um projeto de lei apresentado no Congresso dos Estados Unidos. Ele tem o objetivo de estabelecer regras claras para a regulação de ativos digitais. 

A iniciativa busca encerrar a ambiguidade jurídica que marcou a atuação do setor cripto no país. Até então, projetos e corretoras operavam sem saber exatamente qual órgão regulador teria autoridade sobre cada tipo de ativo. 

Esse cenário resultou em disputas entre agências, ações retroativas e uma sensação constante de insegurança jurídica. O Clarity Act tenta resolver esse problema criando critérios objetivos e previsíveis. 

Leia também: Descubra o Mercado de Criptomoedas e Câmbio: Entenda como funcionam e se relacionam! 

Como o Clarity Act organiza a regulação entre SEC e CFTC? 

Um dos pontos centrais do Clarity Act é a definição mais clara das competências da Securities and Exchange Commission (SEC) e da Commodity Futures Trading Commission (CFTC).  

A SEC tende a regular projetos com estruturas centralizadas, promessas de retorno e dependência direta de uma entidade emissora.  

Já a CFTC passa a supervisionar ativos que funcionam como commodities digitais. O critério principal deixa de ser o rótulo do token e passa a ser a estrutura do projeto. Isso representa uma mudança relevante na forma como o mercado é analisado pelos reguladores. 

Essa abordagem reduz a margem para interpretações subjetivas e ações retroativas, oferecendo mais previsibilidade para empresas e investidores. Com esses critérios, os projetos conseguem entender, desde a concepção, quais exigências regulatórias precisam cumprir. 

O que a descentralização significa dentro do Clarity Act? 

A descentralização ocupa a parte principal da proposta. Dessa forma, o Clarity Act reconhece que um criptoativo pode mudar de classificação conforme o nível de controle sobre a rede. Com isso, a legislação passa a refletir melhor a realidade técnica dos projetos blockchain. 

Por exemplo, projetos altamente centralizados, nos quais um grupo pode alterar regras ou interromper operações, tendem a ser tratados como valores mobiliários. Redes abertas, sem controle econômico concentrado, podem ser enquadradas como commodities digitais. 

A proposta também admite que a descentralização é um processo. Um projeto pode começar centralizado e, com o tempo, se tornar autossuficiente e distribuído. Esse ponto é relevante porque permite que projetos evoluam sem ficarem presos a um rótulo regulatório permanente.  

Veja também: O papel das stablecoins em estratégias de hedge cambial 

Como o Clarity Act afeta o bitcoin e o ethereum? 

O impacto para o bitcoin (BTC) tende a ser positivo. A criptomoeda já atende aos critérios de descentralização previstos no projeto, como ausência de emissor, controle distribuído e funcionamento independente de promessas futuras. 

O Ethereum ocupa uma posição mais sensível. Durante anos, houve debate sobre seu enquadramento, especialmente após a adoção do staking. O Clarity Act tende a oferecer segurança jurídica ao reconhecer redes maduras e descentralizadas como commodities digitais. 

Essa definição é relevante porque o Ethereum sustenta grande parte do ecossistema de finanças descentralizadas, contratos inteligentes e aplicações Web3. Com maior clareza regulatória, o Ethereum ganha um ambiente mais favorável para o desenvolvimento de aplicações. 

Confira: O que é reserva estratégica de bitcoin e por que ela entrou no debate global?  

Por que o Clarity Act enfrenta resistência política? 

Apesar de contar com apoio  dentro do setor cripto e de parte do Congresso, o Clarity Act enfrenta resistências importantes no Senado. O debate deixou de ser apenas técnico e passou a envolver interesses estruturais do sistema financeiro. 

O principal ponto de tensão está na possibilidade de remuneração sobre stablecoins. Instituições financeiras argumentam que permitir rendimentos sobre dólares digitais pode deslocar recursos hoje mantidos em contas bancárias. Isso alteraria a dinâmica de poupança e crédito no sistema financeiro. 

Na visão dos bancos, o modelo cria uma assimetria competitiva no setor. Corretoras e emissores de stablecoins operariam com menos exigências regulatórias do que instituições bancárias tradicionais, por exemplo. 

Do outro lado da equação, empresas do setor cripto defendem que a remuneração é uma evolução natural do mercado digital. O argumento central é que o modelo amplia a eficiência e oferece mais opções ao usuário. 

Essa divergência transformou o Clarity Act em um ponto sensível de negociação política. O desafio está em equilibrar inovação financeira, estabilidade do sistema e condições regulatórias equivalentes. 

O que o Clarity Act sinaliza sobre o futuro do mercado cripto? 

O Clarity Act indica uma mudança relevante na postura dos Estados Unidos em relação às criptomoedas. O foco se desloca de ações punitivas isoladas para um modelo de integração regulatória. 

A proposta busca criar previsibilidade jurídica, elemento importante para o amadurecimento do setor. Com esse ambiente mais definido, projetos com estruturas sólidas e governança transparente tendem a se destacar. Isso favorece a entrada de capital institucional, que depende de segurança regulatória. 

Ao mesmo tempo, a regulação passa a atuar como um filtro natural do mercado. Iniciativas frágeis ou pouco transparentes tendem a perder relevância ao longo do tempo. O mercado cripto caminha para uma fase menos especulativa e mais conectada à economia real. 

O Clarity Act representa um ponto de inflexão para o mercado de criptomoedas. Ao organizar a atuação de SEC e CFTC, o projeto sinaliza uma mudança estrutural na forma como os ativos digitais passam a ser tratados nos Estados Unidos, com impactos que tendem a refletir no mercado global. 

Como essa regulação pode influenciar seus investimentos e decisões no mercado cripto? Acompanhe nossas análises e fique por dentro dos próximos movimentos desse novo ciclo! 

Em resumo 

O que é o Clarity Act? 

É um projeto de lei dos Estados Unidos criado para estabelecer regras claras para a regulação de ativos digitais, reduzindo a ambiguidade jurídica que marcou o crescimento do mercado cripto. 

Como o Clarity Act organiza a regulação do mercado cripto? 

A proposta define critérios objetivos para dividir a supervisão entre SEC e CFTC, com base no grau de descentralização e na estrutura dos projetos, e não apenas no tipo de token. 

Qual é o papel da descentralização no Clarity Act? 

A descentralização é o elemento central da lei, permitindo que um criptoativo mude de classificação regulatória à medida que a rede amadurece e reduz o controle centralizado. 

Como o Clarity Act afeta Bitcoin e Ethereum? 

O Bitcoin tende a ser reforçado como commodity digital, enquanto o Ethereum ganha mais segurança jurídica ao ser reconhecido como uma rede madura e descentralizada, apesar dos debates em torno do staking. 

O que o Clarity Act sinaliza para o futuro do mercado cripto? 

A lei aponta para um mercado mais previsível, transparente e integrado à economia real, no qual projetos sólidos ganham espaço e a regulação atua como um filtro de maturidade do setor.